Presidente da Affinia avalia desempenho do mercado de reposição automotiva - 21/9/2005
 
Jorge Schertel afirma que o setor está crescendo, apesar da carga tributária, da falta de uma cultura de manutenção preventiva e da concorrência internacional

O segmento de reposição de autopeças atravessa uma fase positiva, segundo a avaliação do presidente da Affinia Automotiva no Brasil, Jorge Schertel. A afirmação tem por base o bom desempenho da empresa ao longo de 2005. “Estamos bem economicamente. Não atingimos a previsão de vendas ainda, mas faltam alguns meses até o fim do ano e acredito que conseguiremos”, diz.

De acordo com Schertel, a frota do país continua crescendo e o movimento é acompanhado pela demanda por autopeças, embora existam alguns fatores preocupantes. Entre eles, a política do governo em relação ao sistema tributário e ao câmbio: “Há um excesso de carga tributária que, além de interferir de maneira negativa na relação comercial entre as empresas, propicia o aumento da sonegação”, comenta. Sobre a política cambial, o executivo comenta que a retração do dólar expõe o país à invasão de produtos subfaturados e de baixa qualidade. E ressalta: “O que é do mercado a gente resolve, mas o governo precisa fazer a parte dele!”.

Mostrando otimismo, o presidente da Affinia aponta a ampliação do limite de enquadramento das empresas no Simples (sistema simplificado de pagamento de impostos e contribuições federais) como uma ação positiva. “O dobro ainda é pouco, considerando um balanço final entre crédito e débito, mas já é uma luz no fim do túnel, até porque combate a sonegação”, diz. Outro fato favorável ao bom desempenho do segmento de reposição automotiva, na opinião de Schertel, está no fato de a maioria da frota ainda ser composta por carros de fabricação nacional e não por carros “globais”.

Para ele, a entrada de países como a China no segmento é vista com reserva, uma vez que sua atuação pode ser configurada como “dumping”. E mesmo que apresente avanço, o mercado nacional ainda tem vantagens. A começar pelo imposto de importação, que continua alto: “Reconheço que isso estimula o subfaturamento e o contrabando, mas é uma barreira”, comenta. Há também a distância geográfica, que acarreta demora no fornecimento e problemas com a variação cambial, sem falar da questão da qualidade.

Como a empresa está reagindo ao aumento da competitividade decorrente da abertura do mercado? “Investindo pesado em nossas marcas, na fidelização dos clientes e na qualidade dos produtos, respaldados por um serviço primoroso de treinamento e assistência técnica”, enfatiza Jorge Schertel. Ele acrescenta que, atualmente, apesar de a durabilidade dos veículos, de modo geral, ser maior, os motoristas brasileiros enfrentam estradas em péssimas condições e não têm uma cultura de manutenção preventiva. “Temos de superar isso. Na Venezuela, onde a Affinia possui uma fábrica de filtros, religiosamente a cada seis mil quilômetros os motoristas trocam esse componente, estando bom ou não”, exemplifica.

Para difundir a cultura de manutenção preventiva, o presidente da Affinia do Brasil vem se reunindo periodicamente com o GPE – Grupo de Planejamento Estratégico. Formado por entidades como o Sindirepa, a Andap, o Sincopeças e o Sindipeças, o grupo trabalha no desenvolvimento de um projeto cujo objetivo é criar o hábito, por parte do consumidor, da manutenção preventiva regular de seu veículo.

Expressa Comunicação
Tels.: (11) 3817-4502 / 5497
André Lozano / Luiz Alberto Pandini / Romy Aikawa

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